sexta-feira, 13 de maio de 2011

Discrepância

Um momento gravado na memória e menor do que um minuto. A memória de algo ínfimo eternizado em mim. Cada sutil movimento de vida parecia um filme em minha mente, na qual eu posso pausar, adiantar ou voltar. A vida e a morte ao se encontrarem me divertem. Me fazem ver quão efêmera é esta passagem à qual só dão valor quando prestes a ser tirada.

Para alguns, é um tanto quanto mórbido. Para mim efêmero, talvez excêntrico. O único momento alegre em meio às minhas próprias tristezas e buracos negros. Uma válvula de escape, quem sabe, mas que alivia a dor que me atinge. Dor esta que já tentei transformar em bela prosa e poesia, mas que se tornou apenas mais um borrão depressivo em minha escrivaninha.

Essa válvula de escape que me alegra momentaneamente são as borboletas. Sim, estas pequenas criaturas! Já pensou em como são bonitas e poéticas? São seres metamórficos, a passagem de um ser feio e desprezado para algo bonito e adorado. Controverso, não? Digo, são a mesma coisa, e não entendo tudi isso. Talvez por parecer com uma.

Ah, como me alegram! Vê-las sair do casulo, prematuras e tentando um pequeno vôo gracioso caírem desajeitadas no chão, fadadas à morrer, agonizantes. Perdi a conta de quantas vezes destruí casulos ansiando uma injeção de ânimo percorrer minhas veias me fazendo muitas vezes me sentir até mesmo tonto e sem ar.

Mas essa sensação de uma alegria fútil e mórbida é logo sufocada por um sentimento ainda mais devastador: a culpa. A culpa de ter tirado a vida de um ser tão frágil e tão poético. De ter me rendido mais uma vez à esse torpor insignificante que aje em minhas entranhas como a droga aje em um dependente químico que clama por mais a cada nova dose. Mas não. Hoje não. Dessa vez, quero sentir a tristeza consumir meu peito em chamas à sentir tudo isso de novo, a ver esse pesadelo passar pela minha mente novamente. Esse casulo, esse mesmo que eu decidi não desmanchar, vai desabrochar como uma flor e se tornará uma linda borboleta. Um ser que admirarei por conseguir o que nunca em toda a minha vida cheguei perto de alçancar. Algo que admirarei por ter se transformado em um ser admirado como sempre quis ser.

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